Estudos

Boletim Informativo Nº 93 — Comentários atuais sobre Algoritmos, Lei de Moore e Sociedade Data driven

23 out 2020 · 5 min de leitura

Comentários atuais sobre Algoritmos, Lei de Moore e Sociedade Data driven

A ideia de que seres humanos conseguiriam, em determinado momento histórico, desenvolver máquinas capazes de pensar por si próprias e agir autonomamente é algo que permeia o imaginário coletivo há muito tempo, servindo de inspiração para a criação de inúmeras obras literárias e cinematográficas. Portanto, o que antes se apresentava como mera ficção científica, atualmente configura uma real possibilidade, capaz de revolucionar aspectos fundamentais da vida em sociedade de maneira ainda mais intensa do que o amplo acesso à rádio, televisões, telefones celulares e internet fizeram ao longo das últimas décadas. Não faço referência apenas a robôs humanoides super tecnológicos – a exemplo da famosa Robô Sophia, que além de ter uma inteligência e aparência muito próximo ao de um humano, recebeu há 3 anos sua cidadania do Reino da Arábia Saudita < para mais informações acessar: https://www.businessinsider.com/sophia-robot-citizenship-in- saudi-arabia-the-first-of-its-kind-2017-10>, mas sim aos algoritmos e às inteligências artificiais que passaram a nos controlar e decidir, através de nossos dados pessoais, e se fazem presentes no cotidiano de todas as pessoas, empresas, instituições e governos. Nesse sentido, se faz necessário contextualizar o leitor, antes de demonstrar a dimensão e a importância de se dar mais atenção para as questões tecnológicas, especialmente as que envolvem Algoritmos e Inteligência Artificial, e para isso, passo a explicar brevemente a chamada “Lei de Moore”. Nos anos 60, Gordon Earl Moore, cofundador da Intel, previu em um artigo científico datado de 1965 que a quantidade de transistores contidos nos processadores dobraria, em média, a cada dois anos durante um período de, ao menos, dez anos. Contudo, a previsão foi muito conservadora: há mais de meio século, o crescimento previsto por ele continua ocorrendo e não aparenta diminuir o ritmo. Essa premissa originou a chamada Lei de Moore, que, em 1975, foi revisada de modo que o período de dois anos fosse reduzido para dezoito meses. Ou seja, a capacidade de processamento amplia-se exponencialmente, com reduções drásticas de custos a cada 12 ou 18 meses. Atualmente, há um certo consenso de que, pelo menos por enquanto, a previsão do cientista vem se confirmando. A partir desse cenário, especialmente na segunda década dos anos 2000, as teorias que discutiam a utilização de computação cognitiva (inteligência artificial) desde 1950 começaram a ampliar sua viabilidade técnica e financeira. Portanto, foi a capacidade de processamento adicionada a possibilidade de guardar e acessar rapidamente todas essas informações (big data) o que, de fato, possibilitou o desenvolvimento de técnicas de aprendizagem de máquina (machine learning, deeplearning), mineração de dados (data mining), linguagem natural etc.

A partir disso, a tecnologia de armazenamento de dados por Big Data, e o consequente uso de outros algoritmos de processamento desses dados, começou a dominar e controlar o cotidiano de todos. Desse modo, cito, dentre vários outros exemplos, os algoritmos usados nas as redes sociais, na indústria de música através dos aplicativos de streaming musical, nos aplicativos de filmes (Netflix), de livros (Amazon), nos órgãos e instituições governamentais, como a Receita Federal e Polícia Federal, nos cálculos de bombas atômicas, nos drones, nos tradutores on-line, na avaliação de crédito, na avaliação social, no controle de tráfego aéreo e muito mais. A lista é vasta, complexa e obscura, e tudo isso gerando e armazenando cada vez mais dados. A partir disso, é compreensível afirmar que grandes empresas, como as Big Tech (Facebook, Google, Amazon, Microsoft, Apple etc.), detém mais informações acerca das pessoas do que estados e governos. É fato: Banco de dados são gerado através dos dados pessoais das pessoas, portanto, é necessário humanizar e aumentar o olhar jurídico sobre essas tecnologias. Com isso, através da breve explicação supra, é possível afirmar que os algoritmos e inteligências artificiais que processam e aprendem com os dados pessoais fornecidos por nós ditam o ritmo da sociedade moderna. Não é exagero dizer, que eles estão por toda parte e os humanos estão deixando se levar e ficando mais dependente a cada lançamento ou atualização. Bien Sûr 23 de outubro de 2020 Tiago Miquelin da Costa

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