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Boletim Informativo Nº 89 — Você já ouviu falar das Govtechs

01 out 2020 · 5 min de leitura

Você já ouviu falar das “Govtechs”?

Escândalos de corrupção, cortes de gastos e polarização política geram grande desconfiança e conflitos entre os setores público e privado, deixando cada setor atuando no seu lado, fazendo pouco uso da interação valiosa que viabiliza grandes transformações na sociedade.

E por mais que esse distanciamento entre os setores público e privado ainda ocorra, é necessário que todos trabalhemos em prol da aplicação prática de ideias e pensamentos disruptivos que visem melhorar o funcionamento dos mecanismos governamentais, e por consequência, o equilíbrio social. Isso pois, é muito difícil falar sobre transformação no país sem o envolvimento do governo, seja municipal, estadual ou federal.

Também vale ressaltar, que é notório que o ritmo do setor público precisa melhorar e os processos precisam se tornar mais práticos e objetivos, livre de burocracia desnecessária e sistemas de gestão arcaicos e ultrapassados. Para isso, a partir da realidade recentemente nova das StartUps, iniciou-se um novo setor de inovação que vem com a proposta de mudar essa realidade. Esse setor é conhecido por “GovTechs”.

As GovTechs são empresas privadas, na maioria startups, que desenvolvem soluções inovadoras para problemas reais enfrentados pelo setor público. Elas modulam suas soluções de base tecnológica buscando atender a esse mercado Business to Government (B2G) e que pode tanto se beneficia da disrupção e do modelo inovador inerente ao ecossistema de startups. No Brasil, existe um evento anual que desde 2018 promove a discussão e a ampliação desse cenário de inovação junto ao Governo: O GovTech Brasil <para mais informações, acesse https://govtechbrasil.org.br/>.

Essas empresas de tecnologia são fundamentais para a evolução de uma sociedade, isso pois a realidade tecnológica é um caminho sem volta e só tende a dominar a realidade cada vez mais. Dados da Secretaria de Governo Digital, vinculada ao Ministério da Economia, mostram que de todas as funcionalidades disponíveis no portal gov.br, 58% delas já são realizadas de forma completamente digital.

Ademais, nesse ambiente de inovação e tecnologia, o Estado pode atuar de várias formas: indireta, ao dar apoio estatal e uma segurança jurídica adequada; ou ainda, de forma participativa, ao participar diretamente do mercado, junto aos empresários e empresas privadas. Considerando que na maioria das vezes o Estado atuará de maneira indireta, pode-se dizer que no cenário das GovTechs, o governo é seu cliente.

Desse modo, as contratações das empresas privadas de tecnologia se dão através de editais de licitação <para mais informações:https://startupi.com.br/2020/07/brazillab- busca-startups-que-possam-ajudar-o-governo-na-crise-da-covid-19/>, mas para estarem aptas as empresas privadas não podem ter dívidas com o setor público, devem ter no mínimo de 2 a 3 anos de atuação empresarial, e ainda, ter dinheiro disponível (capital de giro) antes de iniciar os trabalhos.

Um ótimo exemplo é o aplicativo Cuco Health. O projeto, que foi acelerado pela empresa aceleradora de startups BrazilLAB e foi implementado em Juiz de Fora, Minas Gerais, e é uma espécie de “enfermeira digital”. O app monitora pacientes com doenças crônicas como o diabetes, com alertas de medicação e outras recomendações específicas do usuário.

Quanto mais informações são colocadas no Cuco Health, maior é o desconto em medicamentos específicos e tratamentos como sessões extras de fisioterapia. Essa simples ação de monitorar a medicação e recomendações médicas dos pacientes visa evitar internações em unidades de tratamento intensivo. Com a adesão dos tratamentos, o município economiza e leitos ficam disponíveis para outras categorias de emergência.

Portanto, as plataformas digitais que já exerciam grande influência nas relações sociais, tornaram-se fundamentais no atual cenário. A plataformização da sociedade, como denomina a pesquisadora holandesa Jose van Dijck, é uma realidade inegável.

Por outro lado, a presença das GovTechs na sociedade depende de uma abertura dos próprios governos, dispostos a digitalizarem seus procedimentos em prol de transparência, segurança, qualidade e agilidade. Há muitas resistências na aproximação entre esses dois atores, empreendedores e governos, relacionadas, por exemplo, à uma descrença na capacidade de retorno financeiro do mercado GovTech ou por resistências à inovação.

Dessa forma, conclui-se que é preciso, cada vez mais, garantir que o governo esteja presente e acessível onde o cidadão mais precisa – e a digitalização de serviços tem sido a principal estratégia para garantir isso. A pandemia apenas acelerou algo que, cedo ou tarde, aconteceria. O mundo pós-pandemia, portanto, é um mundo digital, conectado e ágil, sem espaço para burocracia, para o desperdício de recursos e, principalmente, para uma baixa qualidade das políticas públicas.

Bien Sûr 01 de outubro de 2020 Tiago Miquelin da Costa

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Equipe Bien Sûr
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